No dia 9 de outubro, foi aprovado no Brasil, pela Anvisa, a medicação Erdafitinibe (Erfandel®) para uso em pacientes com câncer de bexiga. Essa foi a primeira droga do tipo terapia-alvo para tratamento específico deste tipo de tumor.

No estudo que levou à aprovação, o Erdafitinib foi testado em indivíduos com tumores de bexiga do tipo urotelial – o mais comum desse órgão – localmente avançados ou metastáticos que tinham utilizado anteriormente quimioterapia e tivessem apresentado progressão da doença. Não só isso, os pacientes eram selecionados para o tratamento apenas se tivessem mutação no gene FGFR (Fibroblast Growth Factor Receptor), que é um receptor presente nas células e que pode estar alterado em algumas neoplasias malignas, como alguns tumores de bexiga. No estudo, que foi de fase II (uma etapa intermediária dos estudos clínicos), o objetivo foi avaliar se a droga era ativa nesse tipo de tumor e não havia braço comparador. A taxa de resposta foi de 40%, com sobrevida global mediana de 13,8 meses. Os efeitos colaterais de alto grau ocorreram em 46% dos pacientes, ou seja, a toxicidade foi importante, apesar de não ter sido limitante ao seu uso.

Esta droga já tinha sido aprovada nos EUA em abril deste ano e é um avanço importante para os pacientes com câncer de bexiga, que – após vários anos sem novidades – receberam nos últimos anos novas opções, principalmente com o advento da imunoterapia moderna. Com essa terapia-alvo, o manejo desses pacientes fica mais personalizado e eficiente, melhorando suas vidas.

Deve-se lembrar que é uma medicação oral e, portanto, apesar da aprovação na Anvisa, ainda não é obrigatória a cobertura pelos planos de saúde. Abordamos esse assunto em post anterior (acesse aqui http://www.sonhe.med.br/2019/09/03/simparaquimiooral/).

Referências:

Loriot Y, et al. Erdafitinib in Locally Advanced or Metastatic Urothelial Carcinoma. N Engl J Med. 2019;381:338-48.

http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?pNuTransacao=10285482019&pIdAnexo=11571043